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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A incrível história de Shania Twain. PARTE 3

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Oprah: Mutt e Marie-Ann nunca admitiram a infidelidade. Mas você escreveu uma carta pra ela.

Shania: É. É claro que eu implorei pra ela.

Oprah: Página 361.

Shania: "Por favor. Nos deixe em paz. Eu imploro. Estou muito por baixo. E muito magoada. Não aguento mais. Eu lhe desejo amor e felicidade, mas estou morrendo e não aguento mais. Isto está me matando. Tenha piedade. Eu o amo muito e não aguento mais. Não quero mais vida nem amor, eu só quero paz. Por que está me torturando? Deixe-o, por favor. Se me visse chorando e sofrendo, talvez, ficasse com pena. Encontre o amor em outro lugar, em outra pessoa, onde não haja duas famílias sofrendo tanto. Todos nós estamos sofrendo por causa de vocês dois. Isso não está certo."
Essa foi a carta, palavra por palavra.

Oprah: Apertou enviar?

Shania: Apertei.

Oprah: Isso ajudará a muitas mulheres não apertarem enviar.

Shania: Eu sei que foi patético. Mas eu quis que vocês soubessem, que todos nós temos momentos patéticos, por isso eu publiquei a carta. Ninguém está livre disso. A dor não descrimina. Ninguém está livre de se rebaixar tanto.

Oprah: Está se rebaixando ao implorar que a outra deixe seu marido. Também achei interessante: Acho que quando você confia em uma amiga, se confidencia com ela, e é ela quem trai você. Isso é um tipo diferente de descer tão baixo. Mas me parece, que você não o culpou tanto quanto culpou a ela.

Shania: Não posso culpar meu marido pelo fim do nosso casamento. Tenho minha parcela de culpa, seja ela qual for. Mas quem acaba um casamento deve ao outro é uma explicação. Mas o fim do casamento não é culpa de ninguém. É o fim da comunicação entre duas pessoas. Mas Marie-Ann e eu eramos melhores amigas e estava tudo bem. E ela ficou mantendo isso até o ultimo minuto. Mesmo quando eu soube e a questionei, ela desmentiu. É a reação natural de quem foi pego no flagra mas... o que eu tento fazer é entender. Nunca perdoarei um comportamento desses. O modo como meu casamento acabou sempre me chateará. Sempre ficarei triste por ele ter acabado. Mas aceito mais que isso aconteça do que aceito a interrupção de como ele acabou. Digamos que ele fosse acabar de qualquer modo. Quem tem o direito de decidir como ele acaba? Foi algo de fora.

Oprah: Depois disso você perdeu totalmente a sua voz?

Shania: É. Eu achei que nunca mais conseguiria cantar. Pois eu tinha perdido meu produtor e meu parceiro. Havia 14 anos que eu não escrevia uma música sem aquele homem. Como eu ia começar?

Oprah: É como se tivessem arrancado todas suas camadas até restar somente a sua essência.

Shania: Eu me senti muito muito muito sozinha.

Oprah: Pedimos a Mutt Lange que comentasse sobre o livro de Shania, mas ele negou nosso pedido. Vocês tem um filho. Você ainda o vê e tem que vê-la também?

Shania: Certo. Eu o vejo. Não estou surpresa com a recusa dele. Ele é um homem muito reservado. Fosse algo ruim ou bom ele se negaria e eu respeito isso. Lamento que ele tenha sido exposto mais do que gostaria, mas ele tem que se responsabilizar por ter se colocado nessa situação. Eu teria que ter me calado totalmente para evitar isso, mas não farei isso. Vejo o Mutt por causa do nosso filho e, sinceramente, ocorre tudo muito bem. Mas não vejo Marie-Ann e evito isso a qualquer custo.

Oprah: Pra sempre?

Shania: Se for possível.

Oprah: Mas o filho que vocês tem um dia conviverá com ela.

Shania: Não. Nós fizemos esse acordo. "Eja nunca conviverá com ela e você terá que aceitar isso, se não me mudarei pra outro lugar do planeta." Tenho que admitir, eu o ameacei. Mas não queria ver meu filho exposto. Já fomos muito expostos, por alguém que tirou a nossa felicidade e nossa vida.

Oprah: Qual a idade dele?

Shania: 9 anos.


Veja trechos do livro:

"Fred explicou que sua mulher se encontrou com o meu marido em spas de luxo nos últimos meses. Claro, pedi provas, e além do que ele presenciou pessoalmente, ele tinha evidências clássicas como contas de telefone, recibos de hotel, e a lembrança de uma cinta-liga e uma lingerie que ele viu na mala dela".

"Eu a odiei. Estava desolada porque a luxúria de uma mulher para subir na vida significou a devastação da minha família".

"Tive ataque de pânico. Apenas disse que ela era uma pessoa ruim, foi só o que consegui dizer. Depois que ela saiu, pensei: 'Sua covarde! Este foi meu grande momento e eu estraguei tudo".


Shania deu a volta por cima - de uma forma talvez um pouco estranha: casou-se com Frederic Thiebaud, ex-marido de Marie-Anne, em Porto Rico. "Foi meio bagunçado, mas de uma forma linda. Não posso reclamar, pois tenho um homem maravilhoso".
“Eu vi que Fred passou pela mesma coisa que eu e eu o admirava pela forma como ele lidou com isso. Eu me apaixonei por ele porque ele é exemplar em todos os sentidos. Ele é atencioso”, contou a cantora.








A incrível história de Shania Twain. PARTE 2

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Entrevista:

Oprah: O que achei fascinante foi que você escreveu que, no começo você só estava querendo ganhar o suficiente, para cuidar dos seus irmãos. Que você queria só ter o suficiente, que não queria ser uma estrela, que sempre ficou mais a vontade no fundo e que seria ótima fazendo backing vocal.

Shania: Porque essa era minha realidade. Vindo de onde vim, era inimaginável ficar rica, por exemplo. Isso estava muito longe do meu alcance.

Oprah: É interessante como esse condicionamento, se manifestava em outras áreas. Quando você fazia o jantar, fazia o suficiente para não sobrar.

Shania: É. Você aprende a ser bem realista. Acho que ser conservadora com a comida é isso: só cozinhar o necessário.

Oprah: É isso o que o livro tem de interessante. Em todos estes anos, ouvi histórias de mulheres, que perderam sua voz espiritual e emocionalmente, que perderam sua identidade. Com você isso aconteceu fisicamente. Por que foi preciso perder sua voz para você querer recuperar sua identidade?

Shania: Bom. O meu medo e minha ansiedade vinham, aos poucos, pressionando minha voz. Fui perdendo-a progressivamente. Então, quando meu casamento acabou, essa crise foi só a gota d'água de um pote que já estava cheio. Aquele foi o preço extra que eu não consegui carregar. Aquilo fez tudo escancarar, o que era totalmente necessário.

 - A estrela Shania Twain diz que ficou surpresa quando seu marido, depois de 14 anos de casamento, pediu o divórcio.


"Eu era workaholic e o Mutt também, então, devido a natureza das nossas profissões, muitas vezes, não estavamos juntos. E, para ser sincera eu me sentia muito só."

Na época, sua melhor amiga era a sua assistente, Marie-Ann. 
Fred era o marido de Marie-Ann. 


"Mutt e Fred eram amigos, e Marie-Ann e eu eramos amigas. Ela era minha confidente, alguém que entendia as minhas preocupações com meu casamento. Falei: 'Marie-Ann, não acha que meu marido está agindo estranho?' e ela falava: 'Não. Não acho que ele esteja agindo estranho. Acho que ele está ótimo.' Tudo o que ela fazia era me reconfortar, dizendo que estava tudo bem e eu acreditava que ela estava sendo sincera.
Mas logo depois que Mutt pediu o divórcio, ela diz que soube a verdade.

Mutt diz: "Descobri o caso da minha mulher com Mutt de um modo concreto. Falei: 'Vocês vão ter que contar a ela. Isso é ridículo. Vocês devem isso a ela.' Eles não quiseram contar, então eu tive que fazer isso. Foi horrível. Ela ficou inconsolável.

Shania: Fiquei chocada. O Mutt era meu parceiro em todos os sentidos. Aquilo doeu muito. Eu soube que meu casamento tinha acabado e no dia seguinte, soube que era um caso com a minha melhor amiga em quem eu confiara. Ainda não digeri isso. Perdi meu senso de confiança, compaixão, honestidade. Isso tudo acabou. Morreu. Fiquei arrasada e me tornei o que considero uma confusão emocional. Me senti muito infeliz. Nunca fui tão infeliz na minha vida.

Oprah: Você diz que quis morrer quando soube do caso.

Shania: Sim. Eu só queria dormir e nunca mais acordar.

Oprah: Tenho amigas que foram traídas dessa forma e fico arrepiada quando penso nisso. Acho que não há nada... bem, há coisas piores, mas aquele sentimento: "Confiei em você e você é a outra." Está contando seus problemas pra essa pessoa!

Shania: Sim. Estou feliz de estar contando isso hoje. Pois foi um longo caminho depois que tudo isso aconteceu. E eu não gostava da raiva que eu sentia. Eu não queria ficar assim.

Oprah: Leia a página 354?

Shania: Vamos lá. Eis o que escrevi:
"Eu vivia gelada, e meu único alívio era quando eu tirava a roupa e tomava um banho pelando, cinco vezes ao dia. Na maior parte do tempo, eu tremia descontroladamente. Meus dentes batiam violentamente. Depois eu colocava um casaco por cima do pijama, meias de lã, um cachecol. Mas não adiantava. Eu não me livrava dos arrepios, mas eu suava ao mesmo tempo. Era como se meu corpo tentasse se livrar da agonia emocional,  forçando-a a sair pelos poros para eu não me afogar neles."


É. Eu acho que eu estava morrendo. A parte mais intensa durou uma semana inteira. Eu tinha que me levantar para arrumar meu filho para a escola. Então, tive que fingir. Mas, as vezes, é bom dizer: Tenho que ser forte. Tive que encontrar um equilíbrio.

Oprah: E ao contrário de muita gente, você quis saber dos detalhes. Pois achou que eles a ajudariam.

Shania: É, pois quando os meus pais morreram naquele acidente, tive que lidar com os advogados, com a seguradora, e soube de todos os detalhes horríveis: como eles morreram, quantas marcas tinham nos corpos, etc. Na hora, aquilo foi duro, mas eu pude trabalhar com o que eu sabia e por fim, entender. Se você não entende e não sabe dos detalhes, a sua imaginação voa e você pensa milhares de coisas.

Oprah: Eu também ia querer saber. "Aonde você ia? Quando começou? Falava no telefone quando eu estava perto?

Shania: Isso lhe da a chance de reagir ao momento.

Oprah: Os detalhes a ajudaram?

Shania: Eu nunca soube dos detalhes. Eu nunca soube nenhum deles. Eu ligava para a Marie-Ann e fiz de tudo para arrancar alguns detalhes dela, mas ela mudou o numero do telefone.

A incrível história de Shania Twain. PARTE 1

Sem legenda. Dá pra ver melhor aqui.
Com legenda.

Ela revolucionou o visual e o som da música country, tornando-se um fenômeno mundial, mas a riqueza e a fama não evitaram que a estrela Shania Twain tivesse sua dor exposta publicamente.
Hoje, a muito reservada Shania está falando pela primeira vez, sobre os segredos do seu passado, sobre o que ela chama de "traição máxima" - muitas de vocês vão se identificar - por parte do seu marido e de sua melhor amiga, e sobre a crise que a fez, literalmente, perder a voz. 

Shania Twain é uma sensação pop e country. Em 1993, a estrela de Shania estava em ascensão, quando ela chamou a atenção do produtor musical Mutt Lange.
Juntos eles produziram o álbum "The woman in Me", que vendeu 12 milhões de cópias, transformando-a na cantora country de maior vendagem de todos os tempos. 

Após um rápido namoro de 6 meses, Shania e Mutt se casaram. 

Dois anos depois sua carreira explodiu, com seu segundo álbum "Come on Over".

Ela se tornou o álbum de uma cantora mais vendido de todos. Ganhadora de 5 Grammys, ela estava no topo do mundo. 
Então em 2002, no auge do estrelato, Shania abandonou tudo, para levar uma vida calma no seu castelo suíço, com Mutt e seu filho. 
Seis anos depois ela voltou a ficar em evidência, quando seu casamento de 14 anos acabou e ela descobriu que o marido tinha um caso com sua melhor amiga. 

A Shania vai contar tudo. Hoje, é sua primeira entrevista na TV após mais de 5 anos. Ela lançou um livro "From this moment On", e esta com uma série provocante na OWN, exibida nos EUA. 

Entrevista:
Oprah: Obrigada por dar sua primeira entrevista em mais de 5 anos pra mim.

Shania: Eu é que agradeço por ter me tirado da minha concha.

Oprah: Como falei está com um programa na OWN, a série "Why not?". Então porque não se abrir para vida e experimentar coisas novas? Eu estava lendo o livro, ontem a noite e percebi que você passou boa parte da sua vida reprimindo coisas, boa parte da vida não mostrando seu verdadeiro eu, e isto foi um modo de colocar tudo pra fora. Você também diz que o caso do seu marido fez você perceber, que de muitos modos, você estava estagnada, que esse caso foi o gatilho pra você.

Shania: Ele desencadeou a crise, e foi algo positivo nesse sentido. Eu precisava de algo que me acordasse e dissesse: "Há muitas coisas na sua vida te incomodando, você já teve uma vida muito intensa pra sua idade. Aos 42 anos aquilo foi intensificado, pois minha mãe morreu com essa idade, e porque eu estava perdendo o meu casamento. E eu percebi que com o tempo, eu fui perdendo minha voz aos poucos.

Oprah: Fisica, emocional e espiritualmente.

Shania: Eu fui perdendo. Desde o começo da minha vida, houve muita violência na minha casa e sempre aprendi a nunca demonstrar medo.

Oprah: Nos ultimos meses, ela fez uma jornada de autoconhecimento, para ficar de bem com o seu passado. Seu processo de cura é o foco do seu livro e também da sua série na OWN. É uma série-documentário e não um reality show. "Why not" está sendo exibida nos EUA. Acho que a sua capacidade, de revelar as camadas da sua vida e ver como você chegou daqui até aqui, ajudará as pessoas a avaliarem a própria vida. A série começa com Shania e sua irmã Carrie Ann, voltando a uma das suas casas de infância.

"Sendo uma criança pobre, eu sabia fingir estar sem fome quando eu estava faminta. Que não estava com frio quando eu estava congelada."

Embora Shania amasse o padrasto, ele era violento e batia na sua mãe.

"A violencia na nossa casa me assustava e me chateava. Era traumatizante. Quando você é criança, você não sabe o que vai acontecer.  
Era muito ruim. Comecei a me dar conta que ele podia matá-la."


Em 1987, quando Shania tinha 22 anos, seus pais morreram num terrivel acidente de carro. Seu irmão caçula sobreviveu ao acidente.

"Até hoje, controlei o modo como expresso meus sentimentos. Não porque eu não os sentissee, eles eram muito profundos, mas eu controlava como os expressava."

Oprah: O que acho interessante, é que você fala sobre a violência e a sua capacidade de perdoá-la. E o que acontece com crianças em lares, em que os pais são violentos e que, após um certo tempo, e que de um certo modo, você começa a aceitá-la. E, quando li sobre a noite em que seu padrasto, a quem você chama de pai, estava batendo na sua mãe, oe você entrou, e ela estava no chão, na frente do vaso sanitário...

Shania: É. Aquilo foi muito duro, eu era muito pequena. Eu tinha uns 3 ou 4 anos. Houve muitos episódios de violência. Acho que esse se destacou sobre muitos outros, provavelmente, porque foi a primeira vez, que eu presenciei a violência.

Oprah: Nunca esquecerei isso. Pois ficou gravado na minha mente. Meu coração sangrou por você, aos 4 anos de idade, e o que isso acarreta para sua psique. Embora você esqueça o momento e os veja seguindo em frente, tendo momentos bons, etc. Na sua alma de 4 anos, fica gravada essa imagem, dele afundando a cabeça de sua mãe no vaso. E o que me impressionou, foi que quando ele a levantou, havia papel higiênico no rosto dela.

Shania: Quando você passa por isso na infância... Acho que para mim, foi o momento em que eu gritei e exprimi o que eu tinha de dor, raiva e tristeza dentro de mim. Gritei porque eu pensei que tinha perdido a minha mãe. Foi a ultima vez em que eu fiz aquilo.

Oprah: Quem foi criado num lar violento, ou está passando por isso, sabe que no dia seguinte, todos se sentam a mesa, como se nada tivesse acontecido.

Shania: E sabe o que aumenta a confusão? Quando você fala em perdoar o meu pai, os meus pais, e todo aquele período da minha vida... eu amava o meu pai, amava meus pais. Meu pai era um belo homem. Ele nos acolheu como se fôssemos filhas dele. Nós eramos três meninas. E ele nos proporcionou muita coisa. Ele trabalhava muito por nossa causa, ele nos criou do melhor jeito que pôde. Ele sempre foi bem humorado e nos ensinou a rir. Ele nos ensinou a seguir em frente e persistir. Ele tinha orgulho do meu canto. Ele era um grande sujeito e todos o adoravam.